GESTÃO & COORDENAÇÃO DE PROJETOS

10 03 2011

Aqui você encontra informações e referências pertinentes a disciplina de pós-graduação SAP 5857 – Gestão e Coordenação de Projetos.

APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Problemática e objetivos

O projeto pode ser visto como uma habilidade intelectual humana que opera por meio da criatividade, das técnicas e dos conhecimentos na busca de soluções para problemas e desafios.

Também pode ser percebido como um processo social que envolve diferentes agentes que intervêm no desenvolvimento de empreendimentos circunscritos por limitações temporais, regulamentares, econômicas, etc.

Estudar o processo de projeto dentro dos empreendimentos de construção é mais do que uma questão de definição, é investigar seu significado, sua abrangência, seus agentes e suas implicações.

Compreender o funcionamento do processo de projeto é colocar duas linhas de questionamento:

  • Relativo às habilidades e conhecimentos individuais dos projetistas:
    • Como funciona o processo intelectual de resolução de problemas de projeto?
    • Quais habilidades e conhecimentos são necessários para desempenhá-lo?
    • Como diferentes agentes e projetistas desempenham o ato de projetar?
  • Relativo ao contexto social e produtivo do projeto:
    • Qual o papel do ambiente institucional e normativo nas práticas de projetos?
    • Como são organizadas as equipes multidisciplinares de projeto?
    • Quais paradigmas norteiam a integração e coordenação entre os agentes envolvidos e entre as diferentes especialidades de projeto?
  • Relativos a tecnologia de suporte ao projeto:
    • Quais ferramentas e tecnologias são utilizadas em suporte ao processo de projeto?
    • Como a TI (CAD, Programas de Cálculo, Programas de planejamento, etc.) impacta o desenvolvimento projeto ?
    • Como a TI impacta a interação em equipes multidisciplinares de projeto?

A disciplina propõe a investigação, com base na literatura e estudos empíricos, do processo de projeto e, principalmente, sua condução dentro de coletivos sócio-produtivos que ampliam o problema da criação para um coletivo multidisciplinar e vincula o processo de projeto às exigências, restrições e características ambientais de um dado processo produtivo, no caso específico, dos empreendimentos de edifícios.

A ênfase recai portanto na investigação do projeto como um processo de criação e produção coletivo de informações e conhecimentos e as questões básicas colocadas na disciplina e propostas para o desenvolvimento dos trabalhos dos alunos são:

  • Qual a definição de projeto?
  • O que é projetar do ponto de vista cognitivo, técnica, social e produtivo?
  • Como se organiza o processo de projeto na construção de edifícios? Como são integrados os diversos agentes desse processo e como são coordenadas as especialidades de projeto?
  • Como o projeto se insere no processo de produção do empreendimento? Como se dá a interface do projeto com a promoção do empreendimento e com a obra?
  • Quais os paradigmas que norteia o processo de projeto na construção, suas potencialidades e limites?
  • Qual o papel e potencialidades da tecnologia da informação e telecomunicações no processo de projeto?

Relevância do tema

A gestão de projetos se caracteriza pelas atividades de planejamento, organização, direção e controle do processo de projeto envolvendo a definição do programa, a montagem e condução da equipe de projetistas do empreendimento, bem como a integração do projeto com a obra.

A problemática da gestão do processo de projeto é cada vez mais atual devido a continua ampliação da complexidade dos empreendimentos de construção e a conseqüente subdivisão e especialização dos projetos em um número crescentes de especialidades e intervenientes. Nesse contexto a gestão do processo de projeto é dada pela gestão do processo de criação e desenvolvimento de cada especialidade de projeto e pela coordenação das interfaces entre projetos e agentes do empreendimento.

A coordenação de projetos pode ser definida como uma atividade de suporte ao desenvolvimento dos projetos, cujo objetivo é garantir que as decisões tomadas nas diversas especialidades de projeto sejam compatíveis e levem em conta os requisitos globais do empreendimento, de forma a ampliar a qualidade e a construtibilidade dos projetos de edifícios.

A coordenação de projetos deve garantir que as soluções técnicas desenvolvidas pelos projetistas de diferentes especialidades sejam congruentes com os objetivos do cliente, compatíveis entre si e com a cultura construtiva da empresa de construção. Pode-se afirmar que os principais objetivos a serem cumpridos pela coordenação de projetos estão relacionados à organização e ao planejamento do processo de projeto (definição e planejamento do processo de projeto) e à gestão e coordenação das decisões e das soluções projetuais (gestão do processo de projeto).

Definição e planejamento do processo de projeto:

  • planejar os custos de desenvolvimento dos projetos (planejamento de custos);
  • planejar os prazos e cronogramas de desenvolvimento das diversas etapas e especialidades de projeto (planejamento de prazos);
  • definição dos objetivos e parâmetros a serem seguidos na elaboração dos projetos (definição de escopo);

Gestão do processo de projeto:

  • controlar os custos de desenvolvimento dos projetos (gestão de custos);
  • controlar e adequar os prazos e cronogramas de desenvolvimento das diversas etapas e especialidades de projeto (gestão do prazo)
  • fomentar e garantir a qualidade das soluções técnicas adotadas nos projetos
  • validar os projetos e as etapas de desenvolvimento (gestão do escopo);
  • fomentar a comunicação entre os participantes do projeto e coordenar as soluções das várias especialidades (gestão da comunicação);
  • coordenar as interferências entre diferentes projetos (gestão das interfaces);
  • integrar as soluções de projeto com o processo de produção do empreendimento (gestão integrada projeto – obra).

Atividades previstas na disciplina

Pesquisa e seleção bibliográfica

Resenha crítica da bibliografia

Preparação de seminários

Desenvolvimento de monografia (pesquisa teórica e empírica sobre o subtema escolhiado).

Dinâmica das aulas

Aulas expositivas

Discussão da bibliografia e dos trabalhos com os alunos

Palestra de convidados

Avaliação da disciplina

  • Leituras e fechamentos de textos, contendo entre duas e três folhas com o resumo e crítica das principais idéias tratadas.
  • Monografia e apresentação de seminários realizados individualmente ou em duplas.

Estrutura da monografia:

As monografias para disciplina devem conter entre 12 e 20 páginas, formatadas de acordo com o modelo de apresentação de trabalhos à disciplina (baseado em modelo de apresentação de um artigo científico), e devem conter:

  • Definição clara e precisa da problemática abordada e do objeto da pesquisa
  • Apresentação da metodologia e estratégias de pesquisa
  • Abordagem teórica da problemática abordada [inclusive referências pesquisadas pelo(s) autor(es)]
  • Pesquisa empírica junto a apresas ou profissionais buscando a compreensão prática do fenômeno estudado
  • Análises e Conclusões críticas do autor(es) sobre a problemática estudada e resultados encontrados na pesquisa.
  • Relação das referências bibliográficas (apresentadas segundo a norma da ABNT para monografias).

Critérios de avaliação das monografias

Conceito “A” – Trabalhos que apresentem contribuições ou abordagens inéditas e bem estruturadas sobre o tema proposto, correspondente ao que se espera de um artigo em evento científico.

Conceito “B” – Trabalhos bem estruturados, com revisão bibliográfica e pesquisa empírica adequadas, referendando contribuições já consolidadas na literatura.

Conceito “C” – Trabalhos de revisão bibliográfica e pesquisa empírica com pequenos equívocos metodológicos ou negligências conceituais.

Bibliografia da disciplina

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR-9001/ISO-9001: Sistemas de gestão da qualidade: requisitos. Rio de Janeiro, 2000.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA (AsBEA). Manual de contratação dos serviços de arquitetura e urbanismo. 2.ed. São Paulo: Pini, 2000.

AUSTIN, S. et al. Analytical design planning technique: a model of the detailed building design process. Design studies, v.20, n.3, p.279-96, May 1999.

CARVALHO JR. J.M.N. Prática de arquitetura e conhecimento técnico. 1994.  Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo.

CROSS, N. Engineering design methods: strategies for product design. Londres: Ed. Wiley, 1994.

CROSS, N. Natural intelligence in design. Design Studies, v.20, n.1, Jan. 1999.

DORST, K; CROSS, N. Creativity in the design process: co-evolution of problem-solution. Design Studies, v.22, n.5, Set. 2001.

FABRICIO, M. M. Projeto Simultâneo na construção de edifícios. 2002. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo.

GUS, M.. Método para a concepção de sistemas de gerenciamento da etapa de projetos da construção civil: um estudo de caso. 1996. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

JOBIM, M.S.S. et al. Controle do processo de projeto na construção civil. Porto Alegre: FIERGS/ CIERGS, 1999.

JOUINI, S.B.M.; MILDLER C. Crise de la demande et stratégies d’offres innovantes dans le secteur du bâtiment. Paris, Plan Urbanisme Construction Architecture / Chantier, 2000.

JOUINI, S.B.M.; MILDLER C. L’ingénierie concourante dans le bâtiment. Paris, Plan Construction et Architeture / GREMAP,1996.

KALAY, Y.; KHEMLANI, L.; CHOI, J.W. An integrated model to support distributed collaborative design of buildings. Automation in construction, n.7 p.177-88, 1998.

KAMARA, J.M.; ANUMBA, C.J.; EVBUOMWAN, F.O. Assessing the suitability of current briefing practices in construction within a concurrent engineering framework. International Journal of Project Management, n.19, p.337-51, 2001.

KOSKELA, L.; HUOVILA, P. On Fundations of concurrent engineering. S.l.: s.n., 1997

LAWSON, B. Design in mind. Oxford: Butterworth, 1994.

LOURIDAS, P. Design as bricolage: anthropology meets design thinking. Design Studies, v.20, n.6, Nov. 1999.

MELHADO, S. B. Qualidade do projeto na construção de edifícios: aplicação ao caso das empresas de incorporação e construção. 1994. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo.

MELHADO, S.B. Gestão, cooperação e integração para um novo modelo voltado a qualidade do processo de projeto na construção de edifícios. 2001. Tese (Livre-docência) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo.

NOVAES, C.C. Diretrizes para garantia da qualidade do projeto na produção de edifícios habitacionais. 1996. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo.

ORNSTEIN, S. W. Avaliação pós-ocupação do ambiente construído. São Paulo: Studio Nobel / Edusp, 1992.

PROGRAMA setorial da qualidade (PSQ) – setor de projetos. São Paulo: Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), 1997.

SOILBELMAN, L. CALDAS, C.H.S. O uso de extranets no gerenciamento de projetos: o exemplo norte-americano. In: ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO: MODERNIDADE E SUSTENTABILIDADE, 8., 2000, Salvador. Anais… Salvador: UFBA/UNEB/UEFS/ANTAC, 2000. CD-ROM

SOLANO, R.P. Coordenação de documentos de projetos de edificações: uma ferramenta auxiliar de melhoria de qualidade proposta pelo projeto arquitetônico. 2000. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

TZORTZOPOULOS, P. Contribuições para o desenvolvimento de um modelo do processo de projeto de edificações em empresas construtoras incorporadoras de pequeno porte. 1999. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

WORKSHOP nacional: gestão do processo de projeto na construção de edifícios. 2001, São Carlos. Anais… São Carlos: EESC-USP, 2001. «www.eesc.usp.br/sap/projetar.html»

III WORKSHOP brasileiro de gestão do processo de projeto na construção de edifícios. 2003, Belo Horizonte. Anais… Belo Horizonte: UFMG/EP-USP/EESC-USP, 2003. «www.eesc.usp.br/sap/projetar.html»

IV WORKSHOP brasileiro de gestão do processo de projeto na construção de edifícios. 2003, Belo Horizonte.

Publicações Recomendadas:

Architectural Engineering and Design Management AEDM

Revista Gestão & Tecnologia de Projetos

Revista Ambiente Construído<br>

Associações de Projetistas / Institucional:

RIBA – Royal Institute of British Architects

RIBA – Outline Plan of Work 2007

Manuais de Escopo de Projeto

 

Código de Comduta em Pesquisa – FAPESP

 

Código FAPESP – http://www.fapesp.br/boaspraticas/codigo_050911.pdf

 

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